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Entrevista: Pedro Netho e um bate papo com o presidente do Senado Jovem 2016

publicado: 29/12/2016 17h00, última modificação: 29/12/2016 17h28
Pedro Netto: Jovem Senador da Paraíba

 

 

 

 

 

Por Iago Sarinho


Fonte: Arquivo Pessoal - Pedro Netto no Plenário do SenadoPedro Netho (17) é o Jovem Senador da Paraíba de 2016 e o primeiro representante do estado eleito para presidir a mesa diretora do Jovem Senador (JS). Natural de Campina Grande, filho de um comerciante do Mercado Centro e de uma dona de casa, é concluinte do terceiro ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Hortênsio de Sousa Ribeiro – PREMEN. Pedro Netto ainda não sabe se disputará algum cargo político eletivo no futuro, é defensor da educação libertadora de Paulo Freire, leitor da poesia de Paulo Leminski e enquanto aguarda a nota do Enem, segue indeciso entre cursar Letras ou Direito na Universidade. 

O Jovem Senador é um programa do Senado Federal que seleciona através de redações temáticas jovens oriundos de escolas públicas estaduais para durante 4 dias vivenciarem a rotina do senado federal, o programa é anual e qualquer estudante da rede pública estadual com até 19 anos pode concorrer por uma das vagas.

Um bate papo com o presidente do Senado Jovem: Política, juventude e Brasil


JUVPB - Pedro, de uma forma bem simples, como você explicaria o Jovem Senador e como é possível ter acesso a ele?

Pedro Netho - Em termos práticos, o Jovem Senador é um projeto do Senado Federal que seleciona anualmente um estudante da rede estadual de cada unidade da federação a partir de um concurso de redação. Tudo começa na escola: escrevemos a redação, deve ser montada uma banca para avaliar os textos e, por fim, encaminhar o melhor deles para a secretaria de educação do estado. De lá são enviadas três redações para a equipe organizadora do projeto em Brasília, onde é escolhido o primeiro, segundo e terceiro lugares na etapa estadual, sendo o primeiro lugar o representante do estado no Senado enquanto Jovem Senador. É uma semana de muita produção, construção, vivência, aprendizagem e trabalho. O projeto nos proporciona conhecer o processo legislativo em sua complexidade: levamos sugestões legislativas, trabalhamos em comissões temáticas, discutimos, escrevemos e votamos projetos de lei e relatórios. O último dia no plenário é voltado unicamente para apresentação, discussão e votação dos projetos de lei que produzimos nas comissões. Caso seja aprovado - aprovamos três projetos -, o texto é enviado a comissão de direitos humanos e participação legislativa, podendo tramitar como projeto de lei no Congresso Nacional. O Senado envia, logo no começo do ano, um kit para a escola poder trabalhar o projeto. Se não chegar, é só ir no site do Senado e ter acesso integral a todo material. É uma experiência incrível. O JS deixa um legado lindo para a sociedade: há jovens que gostam de política, que fazem política e que estão ocupando a política. Isso mostra que temos maturidade e consciência política para pautar mudanças em diferentes áreas para o nosso país. É uma chama de esperança em tempos de incertezas.

JUVPB - De que maneira e em que momento você decidiu participar?

Pedro Netho - Desde o 9º do ensino fundamental aspirava participar e, quiçá, um dia ser o Jovem Senador da Paraíba. Tudo começou com uma carta que escrevi juntamente a uma colega, endereçada ao governador Ricardo Coutinho sobre a situação da nossa escola e comentando problemas sociais do nosso estado. Ao chegar no ensino médio, pude participar da seleção do Parlamento Jovem Brasileiro, embora não tenha sido selecionado. Já no terceiro ano, impulsionado pela vivência no Grêmio Estudantil, inspirado também pela temática da redação - Esporte: educação e inclusão - e tendo sido convidado por minha professora de português - Lusinete Bezerra - que me orientou na produção do texto e me acompanhou até Brasília, me voltei e me doei totalmente. Não foi só por mim. É uma questão coletiva. Pude, e isso é por demais gratificante, mostrar à tantos jovens da minha própria escola e do meu ciclo de amizades que eles também podiam chegar lá.

Jovens Senadores 2016JUVPB - Qual a importância do Jovem Senador na sua vida e formação?

Pedro Netho - Saio do ensino médio mais completo, confesso. O Jovem Senador me fez ler outros mundos. Me fez conhecer uma juventude de norte a sul do país que constrói em seus contextos e espaços novas vias de fazer política. Pudemos compartilhar sonhos, ideias e utopias. Isso foi fantástico. O JS é um contraponto aos moldes tradicionais e fracassados de pensar e fazer política na contemporaneidade. Hoje conheço as entrelinhas do processo legislativo. Posso falar com propriedade e segurança porque vivi na prática. Isso não importa apenas para quem tem pretensões de disputar um cargo político eletivo, mas para todo cidadão que se preocupa com o país seja qual for sua posição ou função social.

JUVPB - Você foi eleito o primeiro presidente do Senado Jovem paraibano, como foi a votação e de que forma funcionou o processo de escolha?

Pedro Netho - Sim, pela primeira vez um jovem senador paraibano foi eleito presidente da mesa diretora jovem do Senado. Da minha parte, mostrei aos demais interesse em compor a mesa. Fiz pequenas articulações com alguns estados do Nordeste antes da sessão começar. Mostrei que não era uma intenção somente pessoal ou particular. Confesso que o resultado me surpreendeu. Esperava ser votado, mas não naquela proporção, obtendo 1/3 dos votos. Demorou uns dias pra ficha cair...

JUVPB - O que é a política na sua visão e como você enxerga o cenário atual no Brasil?

Pedro Netho - É uma pergunta que muito me faz pensar... A política, para mim, é o motor de uma sociedade. Vivemos tempos difíceis, incertos e obscuros. Estamos diante de uma agenda nacional de retrocessos e quebra de direitos. É inegável. Quando a política não consegue dialogar com os anseios da população, certamente há crise, há negação, há descrença. O que vivenciamos hoje é conseqüência de um sistema corrompido pelo poder do capital e da sua interferência nas relações institucionais, públicas e privadas. Precisamos reinventar as formas de fazer e ver política urgentemente. Mesmo sendo negada, a política é um canal de transformações, é uma ferramenta para se chegar aos ideais e anseios ainda utópicos, como uma educação pública de qualidade, irrestrita e para todos. A política é um ato de entrega, de doação, uma expressão maior de amor coletivo.

Pedro Netto Assumindo a Mesa do Senado

JUVPB - A política ainda é o principal instrumento para a melhoria da vida das pessoas?

Pedro Netho - Mesmo diante dessa conjuntura ameaçadora, a política é e continuará sendo o melhor instrumento para promoção da dignidade humana e emancipação. Política não só vem do parlamento. Ali é só mais um espaço de exercício. Precisamos reconhecer isso.

JUVPB - Qual a importância da participação efetiva da juventude na política e como tornar isso uma realidade em um momento onde a população e principalmente a parcela mais jovem dela está cada vez mais desinteressada e distante desses espaços de construção social?

Pedro Netho - A juventude sempre deu grandes lições de participação política ao nosso país. Assim foi na campanha do 'Petróleo é Nosso', na resistência à ditadura civil-militar, pelas Diretas e pela redemocratização, pelo impeachment de Collor, nas jornadas de junho de 2013 e, mais uma vez, em defesa da democracia e dos direitos sociais em ameaça diante do governo ultraliberal e entreguista de Michel Temer. Considero a corrupção o pior de todos os males. Ela afasta a juventude da política e das decisões coletivas que devem ser do interesse de toda a sociedade. Vivemos uma grande crise de representatividade. É preciso e oportuno reinventar as vias de atuação, participação e militância. A escola se revela, desde sempre, como um espaço para a prática política em defesa de lindas e nobres causas.


Pedro Netto em debate durante sessão do Senado JovemJUVPB
- Quais as suas metas daqui em diante?

Pedro Netho - Eis a questão. Concluí o ensino médio. Estou aguardando a nota do ENEM para seguir. Parei para descansar, somente. Antes de Jovem Senador, sou um militante do movimento estudantil, disso muito me orgulho. O ME é a minha escola de política, da boa política, da feita com alma, razão, emoção, entrega, doação. Com coragem, ousadia. Estou num processo de transição. Quero passar em escolas, falar de política e oportunidades estudantis, do jovem senador. Quero andar entre jovens e reafirmar que, sim, a gente pode muito. Pretendo ingressar na universidade, continuar meus trabalhos de voluntário e seguir, não tenho nada pronto. Geralmente construo em instantes.

JUVPB – Para as juventudes que lerão essa entrevista, qual o seu recado?

Pedro Netto - Aos jovens, a mensagem que deixo é de um chamado para que ocupemos cada vez mais todos os espaços de poder e decisão. Lindos, belos, coloridos e esperançosos são os nossos tempos. Nossa geração não é a geração do fracasso, somos a geração que pode e vai transformar ou encaminhar grandes transformações para o projeto de Brasil que queremos ter, por um país mais justo, igualitário, fraterno e tolerante.

JUVPB – Foi golpe ou impeachment?

Pedro Netho - Foi golpe e dos baixos. Uma trama das elites com o aval de um congresso chantagista, conservador e corrompido. Há quem considere que foi um processo legítimo, mas a história está aí para provar a quantidade de golpes transvestidos de legalidade que a humanidade já presenciou.

Fonte das imagens: Arquivo Pessoal

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